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Brasileiro tem mania de preconceito com o México. Tem mesmo. Experimente falar disso com alguém “Ah, a tequila, e as novelas dramáticas e blábláblá”. Eu sei que não é assim só aqui, mas eu moro no Brasil, então devo falar daqui.

As pessoas te olham estranho quando ficam sabendo que você assiste novela mexicana, ouve música em espanhol, sabe espanhol, quer ir para o México, e tudo que você mais ama vem de lá. Algumas ainda dizem “Ah, uma vez eu assistia…” mas não sei por que me soa com um tom de deboche, mas enfim. Elas costumam idolatrar e não criticar o que vem dos Estados Unidos, admiram o sonho americano, mas o México é sempre motivo de piada…

Eu gosto do México sim, E daí?

Minha história com esse lugar incrível tem muitos anos – contando que tenho vinte, essa história deve ter pelo menos uns 16 anos – e vou conta-la agora.

Desde que me lembro assistia El Chavo del 8/Chaves no SBT, e também assistia às novelas que passavam. Mas tinha um problema. Minha mãe, um belo dia, quando eu estava com meus 6 ou 7 aninhos, resolveu que chaves não era bom, que “diminuía o cérebro” como ela mesma dizia – o engraçado é que agora ela gosta e tá morrendo de vontade de conhecer o México – e me proibiu de assistir o seriado. E então dali em diante eu passei a odiar toda a programação mexicana do SBT. As vezes quando ficava em casa à tarde e não achava nada legal na televisão, ficava de cara feia me obrigando a assistir as novelas mexicanas, rezando pra que o tempo passasse logo e começasse um filme legal.

É, eu sei que é estranho, mas tudo bem.

E então o tempo passou, e minha relação com o México e tudo que vinha de lá estava numa fase “Nem vai, nem racha”, já que pra mim já era indiferente ter ou não ter o SBT na programação.

Ocorreu então que um belo dia, o “Ou vai, ou racha”, foi.

Fevereiro de 2006 – Eu tinha 12 anos na época – casualmente estava eu assistindo alguma coisa no SBT quando começam as chamadas de “La Fea Más Bella/A Feia Mais Bela” e eu pensei “Ah, parece legal, quem sabe vou assistir” e comecei a assistir. 27 de fevereiro.

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Quando comecei a assistir, embora estivesse gostando, não era uma coisa indispensável na minha vida, tanto que, quando o SBT começou a passar o resumo da semana no sábado, havia dias em que eu dizia “Ah, vou ver no sábado”, mas perdi vários capítulos sem saber que os resumos já não eram exibidos. A partir daí comecei a assistir todos os dias, e foi aí que a saga começou.

Eu fui o patinho feio durante muito tempo, então me identifiquei muito com a história da novela, que pouco a pouco foi se tornando essencial na minha vida. Um dia comecei a procurar vídeos sobre a trama no Youtube, assistia os vídeos de fãs com mesclas de momentos da novela, até chegar em canais com os capítulos completos em espanhol, sem cortes. Sem os malditos cortes cagados que o SBT tem mania de meter nas novelas – e depois tem cara de pau e coragem de reclamar da audiência – E então comecei a assistir à novela na televisão e online também. Ainda me lembro de um momento bem marcante, quando Fernando pede para entrevistar a Lety, para ver quão feia ela era, e, no capítulo em espanhol, ela dizia “Don Fernando”, e até hoje eu lembro de me perguntar “Mas por que ela chama ele de “Don”, se o cara não é conde nem duque?”.

Foi aí que meu espanhol fraco do colégio foi se desenvolver, e depois de descobrir que “Don” é o equivalente a “Seu/Senhor”, não parei mais. Fui aprendendo e aprendendo a língua, passava horas na frente do computador assistindo os capítulos na língua original, passava madrugadas baixando toda a novela, comentando e conhecendo pessoas nos fóruns, fazendo vídeos como os que eu via na internet. Chorando litros com cada momento daquela novela. Sim, eu sei que “é só uma novela dramática mexicana, não é realidade”, mas a mim isso fazia feliz, E daí?

Mas então a novela acabou. E agora? Depois do último capítulo me conformei vendo e revendo toda a história várias vezes, até que em 2013 nasceu a página – que por sinal já conta com likes de vários atores de A Feia Mais Bela – El Diário de Lety. E um pouco depois da criação desta página, surgiu a viagem tão esperada para o México. Ciudad de México, me espere em Agosto!

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Buenas, eu passei todos esses parágrafos contando essa historinha por algum motivo, de graça não foi. O caso é que, até hoje foram pouquíssimas as pessoas para quem eu falei abertamente “Olha, eu gosto de lá, eu assisto novela e falo espanhol quase perfeitamente”. Talvez algumas pessoas com o mesmo gosto que o meu tenham vergonha de sair dizendo, mas aqui o problema não é esse. É o preconceito. E sem razão.

Repito – mais uma vez, eu sei – as pessoas te olham estranho, e você acaba se sentindo mal. Não é o mesmo que sair por aí escutando Guns ou U2. Quando alguém pega seu celular e olha as músicas, por exemplo, faz aquela cara de quem olha para um ET, pois só vê música em espanhol que nunca ouviu falar. Daí numa dessas você começa “Ah, mas eu nem tenho música no celular” ou quando perguntam do que você gosta “ah, eu escuto o que estiver tocando”. É mais fácil do que dar explicação e abrir espaço para críticas bestas. Não é vergonha de mostrar do que gosto, é economizar meu psicológico dos olhares tortos e dos cochichos alheios.

Brasileiro tem que parar de preconceito com o México. Estados Unidos Mexicanos. México não se resume apenas em tequila, Mariachis, novelas e bigodes. Se fosse assim, não seria um dos países mais visitados do mundo. Não teria as novelas mais vendidas do mundo. Não teria o título de povo mais patriota, nem do país latino-americano com mais patrimônios reconhecidos pela UNESCO.

Brasileiros deviam passar a ver este país como: Um país com extremas belezas naturais, com gente humilde e simpática, gente que adora receber brasileiros, um lugar de fé, um lugar lindo, um lugar com praias, montanhas, gastronomia. Tudo isso num lugar só. E quem discutir comigo vai ver depois que tenho razão. Se for criticar, por favor, tenha algum amparo válido para isso.

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Quintana Roo, Riviera Maya, Playa del Carmen, Beach, Backhorse ridding - Photo by Riviera Maya

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Do contrário, arrisque-se a conhecer. Brasileiro tem preconceito por que não conhece, por que é mais fácil ser igual aos outros e debochar em vez de conhecer. As pessoas tem medo do novo, isso sim.

Ei, você que está lendo isso e nunca pensou em ver esse assunto dessa perspectiva, eu sei o que você está pensando de mim agora. E não me importo.

Eu gosto do México sim, E Daí?

 

Até a próxima 🙂

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