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É triste. Dói. Dilacera. Queima. Com pouco mais de um ano e meio, Clementina foi para o céu. São 3h e estou escrevendo isso porque não consigo dormir. Conforme os dias passam, vou me acostumando a ter a mesa vazia, a encarar o silêncio.

Durante o dia é fácil, as tarefas ocupam a cabeça e deixam o coração descansar, mas é a noite que a realidade bate à porta e convida para um chá. É na hora de dormir que as lembranças voltam, que o coração aperta e percebo que não tem mais Clementina.  Não tem mais rolinhos de papel espalhados pela casa, o tec tec tec da Rodinha azul cessou, mesmo que eu ainda a escute girar apressadamente algumas vezes. A gaiolinha agora está vazia e guardada no escuro.

É claro que todo mundo ficou triste, mas ninguém sentiu como eu senti, e ainda estou sentindo. Eu sabia que ia acontecer, sabia que não seria fácil, mas não sabia que seria tão difícil.

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Não, não era só um hamster. Era, e continua sendo parte de mim também. Meu Amorzinho da vida, bolinha de pelos, ratinha… Entre tantos apelidos fofinhos, pra um ser tão fofinho. Sinônimo de alegria, de energia, felicidade. Ela foi feliz. E fez cada um de nós feliz também.

No inicio não sabia como lidar com um ratinho, e não entendia como poderia gostar de um bichinho tão pequeno, que não fazia carinho, que não vinha no colo, que mal fazia barulho.

O fato é que, mesmo com os tombos, mesmo com mordidas e sustos, a ratinha foi MUITO, mas muito amada. Mesmo com o barulho infernal da Rodinha às 7h, que hoje eu sinto tanta falta.

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Clementina virou estrelinha no domingo, dia 26 de julho de 2015, às 15h15, em uma típica tarde cinzenta de inverno. Ninguém estava preparado, embora eu soubesse que o fato de ela estar tão alucinada nos últimos dias significava algo. De fato, era um aviso.

Nas últimas 5 horas de vida, quando estava entrando no que acreditamos que fosse estado de hibernação, fizemos de tudo para fazê-la ficar bem. Esquentamos seu corpinho com toalhas, bolsa de água quente, um cachecol, no quarto aquecido pelo ar condicionado a 30°C. Também aqueci seu corpo com as mãos, com sopros de ar quente. Tentei aquecê-la de qualquer maneira que pudesse ajudar.

Nas últimas 5 horas, rezei para que ela ficasse bem.

Como eu seria feliz se ela se recuperasse e viesse morder meu dedo outra vez.

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Infelizmente não deu. Cada um tem sua hora, e a da ratinha mordedora chegou. Meu anjinho viveu feliz, e se foi feliz também. Foi embora quentinha, recebendo todo amor e carinho do mundo, e sem nenhum sofrimento. Ela se foi deixando um vazio interminável no meu coraçãozinho, e centenas de lembranças felizes que eu nunca vou esquecer.

Agora ela descansa no pé de uma linda árvore, em meio a um lindo bosque, onde ouve o canto dos pássaros a cada amanhecer e a cada entardecer.

Se formos todos para o mesmo céu, tenho certeza que um dia vou encontrá-la outra vez… Até lá, cada dia será um pouco mais vazio, um pouco mais triste.

Sei que fiz tudo que podia, e isso me conforta. Sou feliz por ela ter passado pela minha vida, e sei que tudo que mencionei aqui não é exagero, não é drama. É amor. É saudade.

IMG_20141026_151653“Uma rata folgada, 2014”

Não há um dia, e não há uma noite que não lembre da minha Clementina. Não existe olhar para certos objetos sem que ela invada minha memória.  Graças a Deus a dor um dia passa, e vou conseguir lembrar dela sem sofrer, apenas recordarei com alegria, que era o que ela me dava todos os dias.

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Vou sentir saudades, para todo sempre ?❤❤?

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P.S. A letra dessa canção nunca caiu tão perfeitamente como agora.

Ao menos o filme tem um final feliz.

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